O celular não troca para o satélite mesh ou o repetidor mais próximo?

Você está ao lado do satélite mesh e o celular continua agarrado ao roteador do outro lado da casa. Não é defeito: é assim que os celulares decidem quando trocar, e quando você conhece as regras dá para trabalhar com elas.

Atualizado em 4 min de leituraComo medimos

Em resumo

  • Quem decide quando trocar é o celular, não o roteador. A Apple documenta que o iPhone fica no ponto de acesso atual até o sinal cair abaixo de -70 dBm.
  • Depois ele só troca para um aparelho claramente mais forte: pelo menos 8 dB melhor enquanto passam dados, 12 dB em repouso.
  • Um repetidor com nome de rede próprio (muitas vezes terminando em _EXT) é uma rede separada: os celulares não trocam para ele sozinhos de jeito nenhum.
  • O que ajuda: um nome de rede só, um sistema mesh com roaming rápido (802.11k/v/r) ativado e satélites com cobertura sobreposta por onde você anda.
Nesta página
  1. Como o celular decide quando trocar
  2. Primeira checagem: uma rede ou duas?
  3. Veja qual aparelho o celular está usando de verdade
  4. O que realmente ajuda
  5. O que não ajuda

É uma das frustrações mais comuns com sistemas mesh e repetidores. Você entra no cômodo com o satélite novo, justamente o que comprou para aquele cômodo, e o celular continua usando o roteador do outro lado da casa, com duas barrinhas e uma chamada que fica caindo. Desliga e liga o Wi-Fi e ele pula na hora para o aparelho certo.

Nada está quebrado. No Wi-Fi, é o aparelho que escolhe qual ponto de acesso usar, e os celulares relutam de propósito em trocar.

Como o celular decide quando trocar

A Apple publica as regras que seus aparelhos seguem, na documentação para administradores de rede. Um iPhone ou iPad mantém o ponto de acesso atual até o sinal dele cair abaixo de -70 dBm. Um Mac espera até -75 dBm. Acima desse nível, o aparelho nem procura algo melhor.

Quando passa do limite, ele procura outros pontos de acesso com o mesmo nome de rede e só troca se um deles for claramente mais forte: pelo menos 8 dB melhor para um iPhone que está mandando dados, 12 dB melhor em repouso, e 12 dB para um Mac. No exemplo da própria Apple, um iPhone cuja conexão caiu para -75 dBm durante uma chamada procura um ponto de acesso de pelo menos -67 dBm.

Celulares Android e notebooks seguem regras próprias, mas o princípio é o mesmo em todos: trocar custa uma breve interrupção, então os aparelhos só fazem isso quando ficar é claramente pior.

Isso explica as situações frustrantes. No cômodo ao lado do satélite, o roteador distante ainda pode chegar até você com -66 dBm. Isso está acima de -70, então o seu iPhone não se mexe, mesmo que o satélite ao seu lado desse -45. Você está conectado, só que não tão bem quanto poderia.

Primeira checagem: uma rede ou duas?

Muitos repetidores de tomada criam uma segunda rede com um nome tipo MinhaCasa_EXT. Para o celular, é outra rede, não outro ponto de acesso da mesma. Celulares não trocam automaticamente entre redes diferentes; eles ficam na que entraram até perdê-la de vez, e aí escolhem qualquer uma que conheçam.

Se você vê dois nomes, dê ao repetidor o mesmo nome e a mesma senha do roteador, se ele permitir, ou troque-o por um sistema mesh, em que todos os aparelhos dividem uma rede por padrão. Essa única mudança resolve muitas reclamações de «ele não troca».

Veja qual aparelho o celular está usando de verdade

O iPhone não mostra a qual ponto de acesso está conectado. O app do mesh ou do roteador normalmente mostra: abra a lista de aparelhos conectados e procure o seu celular. A maioria dos apps mostra o aparelho em que ele está e muitas vezes o sinal.

O scanner de Wi-Fi do Utilitário AirPort no iPhone ajuda pelo outro lado: ele lista cada aparelho da sua rede separadamente com o sinal, para você ver quão fortes estão o aparelho próximo e o distante onde você está. Intensidade do sinal Wi-Fi no iPhone explica como ativá-lo.

O que realmente ajuda

Ative o roaming rápido. Sistemas mesh e roteadores melhores suportam três padrões que deixam a troca mais rápida e mais bem informada: o 802.11k diz aos aparelhos quais pontos de acesso estão por perto, o 802.11v permite à rede sugerir um melhor e o 802.11r acelera a própria troca. Os aparelhos da Apple suportam os três. Procure um ajuste chamado roaming rápido, fast roaming ou 802.11r no app do mesh; alguns sistemas já vêm com ele ligado. Se um aparelho muito antigo parar de conectar depois de ativar, esse aparelho é o motivo de o ajuste às vezes vir desligado.

Posicione os satélites para a cobertura se sobrepor por onde você anda. A troca funciona quando, no ponto em que o aparelho distante cai abaixo de -70 dBm, o próximo já está claramente mais forte. Se os satélites estão longe demais um do outro, existe um trecho de corredor onde nenhum está bom, e é ali que as chamadas caem. Projetos profissionais para telefonia buscam uns -67 dBm de dois pontos de acesso em cada ponto. Em casa, confira o caminho que você realmente faz, com o celular na mão; onde colocar o satélite mesh explica como.

Use a ajuda de roaming do roteador, com cuidado. Alguns roteadores conseguem empurrar ou desconectar um aparelho cujo sinal cai abaixo de um nível escolhido, para ele se reconectar num aparelho mais próximo. Funciona, mas com o limite alto demais os aparelhos são derrubados no uso normal. Trate isso como um último ajuste, não como a primeira solução.

Para um aparelho que nunca sai do lugar, esqueça o roaming. Uma smart TV ou uma impressora fica onde está; se estiver no aparelho errado, reiniciá-la normalmente faz com que escolha o mais próximo, e muitos apps mesh deixam você fixar um aparelho num satélite.

O que não ajuda

Desligar e ligar o Wi-Fi funciona toda vez, mas só até você se mexer de novo. E enfraquecer o aparelho distante para o celular desistir dele mais cedo, baixando a potência de transmissão, pode ajudar num escritório bem planejado, mas em casa costuma só criar novos pontos fracos.