Latência, jitter e perda de pacotes: como medir em casa

A velocidade diz quantos dados cabem na conexão. Latência, jitter e perda de pacotes dizem com que regularidade eles fluem, e são eles que decidem se uma chamada congela ou se um jogo dá lag.

Atualizado em 4 min de leituraComo medimos

Em resumo

  • Latência (ping) é o tempo de ida e volta, jitter é o quanto ele varia, perda de pacotes é a parte que nunca chega. Chamadas e jogos dependem mais disso que da velocidade.
  • Referências comuns para voz: atraso em um sentido abaixo de 150 ms, jitter abaixo de 30 ms, perda abaixo de 1%. No seu próprio Wi-Fi, até o roteador, alguns milissegundos é o normal.
  • Faça ping no roteador e depois num servidor da internet. Se o roteador já está lento ou instável, o problema é o seu Wi-Fi; se só o servidor está, é a internet.
  • Se a latência explode só durante um upload ou download, a conexão está saturada (bufferbloat), e um ajuste no roteador pode resolver.
Nesta página
  1. O que os três números significam
  2. Que valores buscar
  3. Descubra qual parte é a culpada
  4. Quando a latência explode durante os uploads
  5. O que causa jitter e perda no próprio Wi-Fi

Uma conexão pode ser rápida e mesmo assim ruim. Um teste de velocidade que mostra 300 Mbps não diz nada sobre se uma videochamada vai congelar a cada trinta segundos ou se um jogo vai dar lag na pior hora. Isso depende de três outros números, e você consegue medir os três em casa.

O que os três números significam

Latência, que normalmente aparece como ping, é o tempo que uma mensagem pequena leva para chegar a um destino e voltar, em milissegundos.

Jitter é o quanto esse tempo muda de uma mensagem para a outra. Uns 40 ms constantes servem para uma chamada; uma conexão que oscila entre 10 e 120 ms não, mesmo que a média pareça boa.

Perda de pacotes é a parte das mensagens que nunca chega. Cada pacote perdido é um pedaço de voz que falta, um quadro de vídeo congelado ou uma ação no jogo que não foi registrada.

Na velocidade, mais é melhor. Nesses três, menos é melhor, e a regularidade importa tanto quanto o valor.

Que valores buscar

A referência mais citada para voz vem do projeto de redes, usada por exemplo pela Cisco: atraso em um sentido abaixo de 150 ms, jitter abaixo de 30 ms e perda de pacotes abaixo de 1%. Acima disso, as pessoas começam a falar umas por cima das outras, as vozes picotam e o vídeo congela. Jogos online são mais exigentes com o atraso; a maioria dos jogadores sente a diferença bem antes de 100 ms.

Esses números valem para o caminho todo, do seu aparelho até a outra pessoa ou o servidor do jogo. A parte dentro da sua casa, do aparelho até o roteador, deveria ser uma fatia mínima. Num link Wi-Fi saudável, a ida e volta até o roteador leva poucos milissegundos e quase não varia. Se esse trecho curto sozinho já leva dezenas de milissegundos, ou fica pulando, o problema é o Wi-Fi.

Descubra qual parte é a culpada

O truque é medir duas coisas separadamente: o seu Wi-Fi, e a internet depois dele.

No computador, abra o Terminal no Mac ou o Prompt de Comando no Windows e faça ping no seu roteador, que normalmente é 192.168.0.1 ou 192.168.1.1; a etiqueta do roteador ou o app dele mostram o endereço exato. Deixe rodar por um minuto:

ping 192.168.0.1

Depois faça ping num servidor da internet, por exemplo ping 1.1.1.1, por mais um minuto. Compare os dois.

  • Roteador rápido e estável, internet lenta ou instável: seu Wi-Fi está bem. A culpa é da conexão, da operadora ou da rota até aquele servidor.
  • O roteador já está lento, instável ou perdendo pacotes: o problema é o link Wi-Fi. Chegue mais perto do roteador e teste de novo; se melhorar, é cobertura.
  • Os dois bem, mas as chamadas continuam caindo: veja o que mais está usando a conexão durante a chamada, e continue lendo.

No iPhone, a maioria dos apps de teste de velocidade mostra ping e jitter até o servidor deles, o que cobre o caminho todo. Faça o teste ao lado do roteador e depois no cômodo onde o problema acontece: se os números só pioram no cômodo, a diferença é o Wi-Fi. Apps que medem especificamente o roteador, incluindo o nosso, mostram a parte do Wi-Fi sozinha.

Quando a latência explode durante os uploads

Tem uma causa que pega muita gente. Quando alguém em casa sobe um arquivo grande, faz backup das fotos na nuvem ou baixa um jogo enorme, a conexão de internet enche. Muitos roteadores e modems guardam então os dados em filas longas, e qualquer outra mensagem precisa esperar atrás. Uma latência de 20 ms pode subir para várias centenas, e chamadas e jogos desmoronam, enquanto um teste de velocidade normal parece perfeito.

Isso se chama bufferbloat, e dá para testar. Alguns testes de velocidade mostram a latência «com carga» ao lado do ping em repouso; testes específicos de bufferbloat dão uma nota direta. Se a latência pula muito só enquanto o teste está baixando ou subindo, aí está a sua resposta.

A solução está no roteador, não no Wi-Fi: um ajuste geralmente chamado QoS, Smart Queue Management ou SQM, que mantém as filas curtas limitando a conexão um pouco abaixo da velocidade real. Nem todo roteador de operadora tem isso; muitos roteadores comprados à parte têm.

O que causa jitter e perda no próprio Wi-Fi

Quando o sinal é fraco, o Wi-Fi reenvia os dados que não passaram, e cada reenvio soma atraso. Por isso o jitter e a perda sobem nos cômodos distantes antes de a velocidade despencar. A solução é cobertura: uma posição melhor para o roteador, um satélite mesh ou um ponto de acesso mais perto do cômodo. Veja Wi-Fi não chega em um cômodo.

Quando o ar está congestionado, os aparelhos esperam a vez de transmitir, e as esperas variam. Colocar em 5 GHz os aparelhos que suportam, onde há mais espaço, costuma estabilizar as coisas. Veja 2,4 ou 5 GHz.

E para tudo em que cada milissegundo conta, como um videogame ou um computador de mesa para jogos competitivos ou chamadas importantes, um cabo de rede tira o Wi-Fi da equação de vez: sem reenvios, sem espera pelo ar, poucos milissegundos constantes até o roteador.