Wi-Fi fraco no andar de cima? Por que a laje bloqueia o sinal e o que ajuda

O sinal que atravessa duas paredes no térreo mal passa pelo teto. Uma laje pesa mais que uma parede, o sinal a atravessa na diagonal e as antenas do roteador apontam para o lado errado. Cada uma dessas coisas tem solução.

Atualizado em 5 min de leituraComo medimos

Em resumo

  • Uma laje de concreto pode custar de 15 a 30 dB em 2,4 GHz, mais que a maioria das paredes, e um roteador num canto do térreo chega aos quartos de cima na diagonal, atravessando ainda mais concreto.
  • Numa casa de dois andares, o roteador deve ficar perto do centro da casa, alto no térreo ou baixo no andar de cima. A escada é o caminho mais fácil para subir.
  • Se o cômodo logo acima do roteador vai bem e os distantes não, mude o roteador. Se o andar de cima inteiro está fraco, você precisa de um segundo ponto de acesso lá em cima, de preferência com cabo.
  • O sótão é o mais difícil: dois andares acima e muitas vezes forrado com manta aluminizada, que reflete o Wi-Fi como metal.
Nesta página
  1. Por que uma laje custa mais que uma parede
  2. Descubra que tipo de problema você tem
  3. Onde o roteador deve ficar numa casa de dois andares
  4. Dois ajustes de graça
  5. Quando o roteador não consegue cobrir os dois andares
  6. Sótãos e cômodos sob o telhado

Em casas com mais de um andar, essa é a reclamação mais comum: o roteador fica embaixo, onde a internet chega, os quartos e o escritório ficam em cima, e o Wi-Fi que atravessa duas paredes no térreo sem problema mal passa pelo teto. O roteador não está com defeito. A laje é simplesmente o que o Wi-Fi tem mais dificuldade para atravessar numa casa, por três motivos diferentes.

Por que uma laje custa mais que uma parede

Ela é mais pesada. A maioria das paredes internas é de drywall, bloco leve ou tijolo. As lajes são de concreto, muitas vezes com malha de aço dentro, ou de vigotas e lajotas. Nas medições de laboratório do NIST, 10 cm de concreto custaram cerca de 15 dB em 2,4 GHz e 20 cm cerca de 29 dB, contra uns 6 dB do tijolo e 1 dB do drywall. Cada 3 dB corta o sinal pela metade, então uma laje pode deixar só uma pequena fração do que chegava ao teto. Tubulação de piso aquecido ou uma manta aluminizada piora tudo.

O ângulo a deixa mais grossa. Um roteador num canto do térreo alcança um quarto do outro lado da casa num ângulo bem baixo. A 30° acima da horizontal, o sinal atravessa o dobro da espessura real da laje; a 15°, quase quatro vezes. A mesma laje que custa pouco bem em cima do roteador custa muito na diagonal. Por isso o cômodo logo acima do roteador costuma ir bem enquanto os distantes não.

As antenas irradiam para os lados. As antenas de um roteador irradiam num anel em volta delas, forte para fora e fraco no sentido do próprio comprimento. Um roteador com todas as antenas bem em pé é o que menos manda sinal para o andar de cima.

Descubra que tipo de problema você tem

Faça leituras do sinal em três lugares no andar de cima: o cômodo logo acima do roteador, o topo da escada e o cômodo mais distante. Wi-Fi não chega em um cômodo explica como ler o sinal no iPhone, Mac e Android.

Se o cômodo acima do roteador lê bem e os distantes não, o problema é distância e ângulo, e trazer o roteador para o centro da casa vai ajudar muito. Se o topo da escada está bom mas os cômodos em volta não, a escada está levando o sinal e a laje está bloqueando no resto; um segundo aparelho no patamar vai cobri-los. Se os três estão fracos, a laje é a barreira e o andar de cima precisa do próprio ponto de acesso.

Onde o roteador deve ficar numa casa de dois andares

Imagine a cobertura do roteador como uma esfera aproximada, achatada por cada laje e parede que encontra. Você quer que ela fique perto do centro da casa inteira, não só do centro do térreo. Isso deixa duas boas opções: alto no térreo, perto do centro, numa prateleira alta ou preso na parede perto do teto, ou baixo no andar de cima, acima do centro, numa prateleira baixa de um cômodo central ou no patamar. Nos dois casos o sinal atravessa a laje quase na vertical, em vez de na diagonal a partir de um canto.

Que andar favorecer depende de onde está o uso pesado. Um home office ou um videogame lá em cima, com a TV embaixo ligada por cabo, aponta para cima. Uma família que vive embaixo e só dorme em cima aponta para baixo. Aparelhos ligados por cabo não ligam para onde o roteador está, então cabear a TV ou o computador deixa o roteador livre para se aproximar dos aparelhos sem fio.

Se a internet chega na ponta errada da casa, um cabo de rede longo a partir da tomada, pelo rodapé e escada acima, leva o roteador aonde ele precisa estar. Onde colocar o roteador cobre o resto: altura, móveis, o que manter longe.

Dois ajustes de graça

Use a escada. Ela é a única abertura na laje, e o sinal sobre por ali com muito mais facilidade que pelo concreto. Um roteador perto do pé da escada, ou um roteador central com a escada no caminho para os cômodos de cima, ajuda o andar inteiro.

Incline as antenas, se o roteador tiver antenas externas. A TP-Link recomenda deixá-las na vertical para um andar e incliná-las uns 30° quando o sinal precisa chegar a outro andar. Inclinar leva parte da cobertura para cima ou para baixo à custa do seu próprio andar, então confira os cômodos dos dois andares depois.

Quando o roteador não consegue cobrir os dois andares

Um ponto de acesso lá em cima com cabo é a solução que acaba com o problema. Se um cabo consegue subir junto do encanamento, por dentro de um armário ou por um conduíte existente, um ponto de acesso ou um satélite mesh cabeado dá ao andar de cima o próprio Wi-Fi com força total.

Um satélite mesh no patamar é a resposta de costume quando o cabo não sobe. O patamar ainda recebe o roteador pela escada e fica perto dos cômodos de cima. Não coloque o satélite no quarto do fundo: ele receberia um sinal fraco e repassaria um sinal fraco. Onde colocar o satélite mesh explica como achar o lugar.

Adaptadores powerline podem levar a conexão para cima pela fiação elétrica. Às vezes os cômodos de cima estão em outro circuito, o que pode deixá-los lentos, então teste antes de confiar neles.

Um roteador mais novo no mesmo canto do térreo raramente ajuda. A regulamentação limita a potência que qualquer roteador pode transmitir, e o concreto custa o mesmo seja qual for o roteador na frente dele.

Sótãos e cômodos sob o telhado

Um sótão transformado em quarto costuma ser o cômodo mais difícil da casa. Ele fica dois andares acima de um roteador no térreo, num ângulo íngreme através de duas lajes. A escada até ele geralmente é estreita, então o efeito da escada é pequeno. E muitos sótãos usam mantas térmicas ou subcoberturas com camada refletora de alumínio, que seguram o calor e refletem o Wi-Fi como uma chapa de metal. Se o piso foi isolado do mesmo jeito, o cômodo fica dentro de uma caixa forrada de metal.

O que funciona: levar o roteador ou o aparelho principal do mesh para o primeiro andar, perto da escada do sótão, para que o sótão fique a um andar de distância em vez de dois; ou, melhor, subir um cabo e colocar um ponto de acesso no próprio sótão. A reforma é a hora de passar esse cabo. Depois, procure caminhos que já existem: shafts de instalações, um antigo duto de chaminé, armários um em cima do outro.

O que não funciona: um repetidor dentro do sótão, repetindo um roteador que ele mal ouve através do alumínio e de duas lajes, ou um roteador mais forte embaixo. Uma camada de alumínio não liga para quanta potência chega até ela.